De casa cheia, Botafogo atropela Nacional por 2 a 0 e vai às quartas de final da Libertadores comments

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Captura de Tela 2017-08-17 às 03.53.05Simbioses entre clube e torcida são artigo raro nos dias de hoje. É o que dizem os torcedores românticos, saudosos de um passado utópico em que todo jogo, por mais estratégico que se desenhasse, teria a carga anímica de uma partida decisiva de Libertadores. Pois o Botafogo mostrou, nesta quinta-feira, nos 2 a 0 sobre o Nacional-URU, que o refinamento tático do futebol moderno não exclui o peso da passionalidade torcedora. Foi o quinto campeão continental superado pelo time de Jair Ventura, que vai encarar mais um nas quartas de final: o Grêmio.

O impacto de uma torcida sempre depende muito de aspectos subjetivos. Tem quem goste de ouvir cantos a favor, outros se animam com xingamentos contrários e há quem prefira nem prestar atenção na arquibancada. Coincidência ou não, foi no seu jogo de melhor público no ano — mais de 40 mil estavam no Engenhão — que o Botafogo mostrou uma combinação de estado anímico e aplicação tática à beira da perfeição.

Torcida alvinegra ganhou bandeiras para incentivar o time – Marcelo Theobald

Os dois gols marcados com cinco minutos de partida são o melhor exemplo. Dizer que o movimento de Bruno Silva, saindo de trás da marcação para alcançar antes de todos uma cobrança de escanteio de João Paulo, explica-se apenas como um lance de bola parada treinado à exaustão é uma meia-verdade. Há, de fato, muito ensaio: basta reparar que, no minuto anterior, o mesmo João Paulo havia tentado a mesma cobrança aberta no miolo da área e levado perigo. Mas há algo mais no lance: existe ímpeto, uma disposição descomunal em subir o mais alto possível para golpear a bola com a testa. É um gol que transpira paixão.

E como explicar o gol de Rodrigo Pimpão, pouco depois, sem mencionar a raça, a crença de que não existe bola perdida? A tática, é verdade, mostra que pressionar a saída de bola adversária é eficiente, já que a bola pode ser recuperada a poucos metros do gol adversário. E foi o que fez o Botafogo, rapidamente ocupando o campo rival após um tiro de meta batido por Gatito Fernández. Obrigou o Nacional a recuar até que Rogel deu um passe fraco demais para o goleiro Conde. Só que o movimento de Pimpão não era meramente científico, mecânico. Estava ali um jogador que não queria apenas fazer número, mas acreditava piamente ser possível fazer algo diferente naquele lance aos cinco minutos.

o globo

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